Encontro de Avivamento Extravagante

Palavra do Avivamento Extravagante

Ao longo do séculos, observamos que a humanidade viveu diversos ciclos de comportamento social. Durante muitos anos, o pensamento social coletivo que pairava sobre a grande maioria das pessoas era o de total desprezo e indiferença para com sua espiritualidade. Há poucas décadas atrás, era uma minoria de pessoas que paravam para exercitar sua fé. Porém com as mudanças sociais advindas com a Pós-Modernidade, a humanidade tem descoberto sua intensa fome e sede pelo transcendente, divino, sobrenatural.

Uma evidência desse fenômeno, é facilmente constatada anualmente nas feiras internacionais de livros. Em diversos países, os livros que atualmente a humanidade mais procura para ler são os de religião, auto-ajuda e espiritualidade. É como se o homem pós-moderno estivesse tentando compensar séculos de total alienação e falta de interesse espiritual.

Infelizmente, na euforia de tanta sede e fome, alguns acabam se engasgando, e são facilmente enganados pela atual cultura New Age. Antigas práticas pagãs, magia celta, como por exemplo a magia Wica, jogo de runas, tarô cigano, projeção astral e consulta aos mortos estão sendo intensamente massificados nesses dias, tudo em nome do transcendente. Como a humanidade esta sedenta e faminta espiritualmente, qualquer prato de comida que alguém oferecer será facilmente devorado!

Durante a história, os inúmeros erros da igreja cristã, como a estrutura religiosa corrompida pelo pecado e política romana, tem comprometido sua autoridade profética para nesse momento, proclamar com ousadia a mensagem da cruz e ministrar na unção do Espírito Santo.

Mediante esse fenômeno sociológico, muitos procuram justificar o intenso número de cristãos nominais que sobrenaturalmente tiveram um encontro espiritual com Deus, e hoje possuem características carismáticas na forma de prestar o seu culto a Deus. Porém sabemos que essa gigantesca onda de avivamento que algumas igrejas tem experimentado, não é fruto de um comportamento social coletivo, mas sim, é fruto da vontade de Deus, um soprar soberano da sua abundante graça.

Deus tem reservado para os nossos dias, um mover do Espírito Santo ainda maior. Veremos um grande derramar das chuvas espirituais, algo nunca registrado na história. Em Joel 2:28-30 “E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias. Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça” . Vivemos dias semelhantes aos do profeta Amós 8:11 “Eis que vêm dias, diz o SENHOR Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR”.

Nunca na história da humanidade, um número tão grande de pessoas estiveram famintas e sedentas por conhecer e experimentar mais Deus, (ainda que pelo engano do diabo e falta de ação da igreja estejam buscando Deus nos caminhos errados). Porém Deus, sempre esteve e continuará apaixonado pela humanidade, apesar de seus muitos pecados, esperando por homens e mulheres arrependidos, que convergirão dos seus maus caminhos e se voltarão exclusivamente a Ele, para o adorar.

Em Joel 2:32 diz “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o SENHOR prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar”. Sabemos que no dia de Pentecostes houve uma grande festa espiritual, onde o poder do Espírito Santos foi torrencialmente derramado sobre a igreja reunida no cenáculo (Atos 2). Porém essa chuva foi a serôdia, aquela chuva que vem no início da estação, a chuva temporã virá quando ninguém mais estiver esperando por chuvas, e esse será o grande avivamento que capacitará a igreja global para a colheita final. Joel 2:23 “Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, regozijai-vos no SENHOR, vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva; fará descer, como outrora, a chuva te mporã e a serôdia”.

Vivemos no período da superabundante graça, ou se preferir, pode chamar de período da manifestação sobre toda carne do Espírito Santo. Esses são dias de muita EXTRAVAGÂNCIA espiritual você não acha? A Bíblia esta repleta de pessoas extravagantes, realizando coisa extravagantes para um Deus apaixonado, que possui um amor super Extravagante!

Atualmente no Brasil, temos ouvido falar muito sobre Adoração Profética, Extravagante, Espontânea, Livre... eu sei lá quantos adjetivos são possíveis... porém muito mais que “rotular um movimento ou ministério” a palavra do Avivamento Extravagante é uma teologia para a igreja da pós-modernidade.

Isso mesmo, nas próximas décadas as igrejas evangélicas no Brasil e no mundo serão profundamente impactadas pelo poder do Espírito Santo. Em menos de 30 anos mais de 80% das igrejas no Brasil terão características pentecostais e carismáticas no seu culto.

Tudo aquilo que for religiosidade, musicalidade artificial, jograis para agradar pastores e presbíteros, coreografias mecânicas, ritos litúrgicos mortos, sem vida, tradições humanas, posicionamentos individualistas e principalmente pregadores eloqüentes porém sem unção... tudo isso vai acabar! Sério mesmo, acredite!

Como posso afirmar isso? É simples, Deus já derramou muito vinho novo, nessas últimas décadas, agora Deus esta movendo seu Espírito de modo que restaure as estruturas religiosas. Deus esta interessado em restaurar os odres, pois muito vinho novo tem sido desperdiçado.

As estruturas religiosas aprenderão a dar liberdade para o Espírito Santo agir, e para que o Senhor Jesus limpe sua igreja de toda essa tralha do tradicionalismo e da influência do pensamento iluminista no campo teológico, ou essas estruturas denominacionais desaparecerão!

Em alguns casos já temos observado, que estruturas denominacionais inteiras estão lentamente desaparecendo, por não deixarem o Espírito Santo agir com liberdade.

Sei muito bem o que Jesus falou para Pedro em Mateus 16:18 “edificarei a minha igreja , e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”, porem para que uma igreja tenha participação nessa aliança, ela precisa ser efetivamente d´Ele: Jesus. Além do mais Jesus nunca assumiu compromisso com nenhuma estrutura denominacional, ele sempre assumiu compromisso com pessoas. O que Jesus tinha em mente ao dizer essas palavras era que a sua igreja na terra, ou seja, seu corpo espiritual, composto por todos aqueles que crêem e confessam o seu nome como Senhor e Salvador, e contra esses, as portas do inferno não resistirão!

Nas próximas décadas nossas igrejas serão progressivamente mais avivadas, pois o homem das próximas décadas esta cansado de ouvir falar de Deus, ele já ouviu muito ao longo da história.

Também não agüenta mais filosofar, pensar, discutir, questionar, argumentar a existência ou ainda dissecar Deus como se Ele fosse um sapo em laboratório. A humanidade já passou por todas essas ondas de pensamentos sociais... o que o homem pós-moderno deseja é EXPERIEMENTAR DEUS, pois Ele é a transcendência de todas as coisa!

É cada vez mais raro para mim encontrar alguém que questione a existência de Deus, quando realizamos impactos evangelísticos... ainda existem algumas pessoas assim, mas são raras de ser encontradas. A grande maioria das pessoas crê que Deus existe, porém não o conhece como realmente Ele é, geralmente possuem uma imagem desfocada da pessoa d´Ele.

As pessoas estão cansadas daquele Jesus “xororo”, magro, distante, feio, afixado numa cruz, no alto de uma catedral enorme, vazia, fria e sem vida... a melhor descrição bíblica a respeito do Senhor Jesus esta registrada em Apocalipse 19:11-16 .

A única verdade que pode preencher o coração vazio do ser humano é o amor de Deus Pai todo poderoso, vivo, eterno, triunfante. O qual cheio de amor e graça vem ao encontro da humanidade revelar-se através de seu primogênito filho, Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O qual rogou ao Pai para que nos enviasse o Espírito Santo, aquele que nos lembra de todas os ensinamentos de Jesus e nos capacita com a virtude divina. “Precisamos de menos teologia e de mais Theos”, disse um pensador chamado Horatius A. Boniar..

Para algumas pessoas é melhor continuar pensando que essa onda de “Extravagantes”, é apenas mais um modismo que logo vai passar... pois se não passar estarão perdidos! Afinal, tudo na vida passa! Eu particularmente também creio que essa onda de Extravagantes, um dia também poderá passar, nenhum movimento religioso é para sempre, as únicas verdades que são eternas estão registradas em Mateus 24:35 “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão”.

O principal ponto de reflexão não é se vai passar ou se permanecerá para sempre?!? O cerne da questão esta em perguntarmos: - Estamos abertos para o novo de Deus? Suas mudanças e transformações? Ou será que o Espírito Santo jamais manifestaria seu poder de modo alienígena ao nosso micro universo religioso?

Infelizmente muitos colocaram Deus dentro de suas “caixinhas de fósforo mental” e dizem periodicamente a Ele: - fique ai! Não se mova do jeito como você deseja! Eu dou liberdade para você agir em minha vida Deus, contanto que seja dentro dos parâmetro de meu micro universo religioso!

Para melhor explicar o que vem a ser esse tal “micro universo religioso”, vou transcrever algumas linhas de uma ficha de relatório, que normalmente as pessoas preencherem no final de nosso Seminários de Intercessão: - “Não conhecia esse tipo de seminário, foi a minha primeira participação. Gostei muito das pregações, da forma como expõe a palavra, na adoração a necessidade de mudança e quebrantamento. Como crítica esperava mais orientação doutrinária, também o louvor é muito repetitivo, não faz o estilo que me envolve e a ministração, bom essa eu pensei que fosse mais suave e dócil, como são as coisas que vêem do Senhor. Essa é a minha experiência!”.

Como você deve ter percebido, a irmã do relatório acima, vinha de uma família cristã, evangélica, tradicional; mediante a indicação de amigos, inscreveu-se em um dos seminários de intercessão que realizamos pelo país e não conseguiu entender a adoração, pois no “seu estilo musical” ficar ministrando por longos períodos apenas algumas estrofes ou frases musicais não era bem o que ela mesmo chamou de “seu estilo”.

Normalmente quando ministramos sobre as pessoas, diversos tipos de manifestações sobrenaturais geralmente acontecem: uns descansam no Espírito, outros gritam, outros choram e tem ainda aqueles que caem na “unção do riso”. As vezes pessoas oprimidas por satanás ficam endemoninhadas, outros são curados, vomitam, já houveram casos de pessoas receberem dentes de ouro e depois ficarem procurando uma justificativa para essa manifestação, em fim... não podemos, nem desejamos prever os sinais que seguirão a palavra que pregamos. Acho que nesse dia todos esses sinais aconteceram, e nossa preciosa irmã, deve ter ficado confusa com tudo aquilo, pois no seu “micro universo religioso” ela jamais havia participado de uma reunião de avivamento, embora fosse cristã desde berço.

Ela encerra seu relatório dizendo que as coisas do Senhor são suaves e dóceis... onde esta escrito isso na Bíblia? Não esta! Mas quem ensinou isso para ela? Não sei, talvez os pais, os pastores ou quem sabe o simples convívio social em uma determinada denominação religiosa.

Inconscientemente, no seu micro universo religioso já esta determinado que as manifestações do Espírito Santo precisam ser obrigatoriamente suáveis e dóceis, tudo o que não se enquadrar dentro desse “Micro Universo”, não é bom, não deve ser do Senhor!

Releia o relatório por favor! Uma pergunta importante a fazermos é: qual seria o “estilo [musical] que envolve“ ao Senhor Jesus? Seria esse os cânticos judaicos de sua época? Nada poderia estar mais errado. Esse é um bom exemplo de cristãos comprometidos com o Reino de Deus que não conseguem deixar Deus sair de dentro das suas “caixinhas de fósforos”.

Estarmos abertos para o novo de Deus, e ao mesmo tempo não nos tornarmos esotéricos do ponto de vista espiritual é um grande desafio! Porém a Bíblia esta encharcada de pessoas que precisaram deixar Deus mudar os seus paradigmas pois caso contrário iriam perecer! Quando Jesus pede água para a mulher samaritana em João 4, ele esta quebrando paradigmas sociais e religiosos. Outro bom exemplo é o jantar na casa de Zaqueu, um pecador registrado em Lucas 19:1-7. Assim existem inúmeras atitudes extravagantes registradas na Bíblia, onde paradigmas são confrontados, e muitas vezes a extravagância esta presente.

Muitos perecem, pois na obstinação de seu micro universo religioso, não estavam sensíveis ao mover de Deus em sua geração. Uma dica importante para tomarmos decisões relativas as mudanças de paradigmas esta registrada em, Colossenses 3:15 “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos” . Porém lembre-se, foi o zelo e orgulho dos mestres fariseus, que os impediu de reconhecerem e experimentarem aquilo que Deus estava realizando de novo em sua geração.

Será que você também tem limitado o poder de Deus em sua vida? Quantas circunstâncias que Deus ansiava manifestar sua glória e você por incredulidade, medo, falta de sensibilidade espiritual ou até mesmo por convivência religiosa não permitiu que o Senhor operasse com liberdade?

È comum pessoas me perguntarem como é que elas devem orar a Deus. Jesus destaca a sinceridade de nosso coração, e não as muitas repetições vazias (Mt 6:7) . Podemos orar em silêncio (1 SM 1:13) ou em voz alta, gritando (Ne 9:4, Ed 3 e Ez 11.13). Podemos orar com nossas próprias palavras, ou usando a própria Escritura. Podemos orar com nossa mente, ou em Espírito (1 Co 14:14-18) . Podemos até orar sem palavras discerníveis, apenas com gemidos (Rm 8:26-17) com a convicção de que o Espírito Santo levará ao Pai essas petições indiscerníveis. Outra forma de orarmos é cantando (Sl 32:1-2; Ef 5:19-20; Cl 3:16). Podemos orar por longos períodos acompanhado por jejum (Ed 8:21; Ne 1:4; Dn 9:3-4 Lc 2:37; At 14:23).

Alguns “fariseus avivados”, gostam de emitir opiniões a respeito de qual seria a melhor posição do corpo para orar, mas a Bíblia menciona: Em pé (Ne 9:4-5) ; sentadas (1 Cr 17:16; Lc 10:13); ajoelhadas (Ed 9:5; Dn 6:10; At 20:36); acamadas (Sl 63:6); curvadas até o chão (Ex 34:8; Sl 95:6); prostrados no chão (2 Sm 12:16; Mt 26:39) ou ainda com as mãos levantadas para os céus (Sl 28:2; Is 1:15; 1 Tm 2:8). Não importa o modo, Deus não esta preocupado com as formas de expressarmos o nosso culto, homens religiosos e sem vida estão! Deus esta preocupado com o conteúdo da nossa adoração e culto.

Sinceramente não sei se você é mais uma dessas pessoas que costumam rotular os movimentos e as manifestações espirituais dentro das igrejas ou simplesmente esta aberta para as novidades do Senhor. Existe ainda aqueles que não conhecem o equilíbrio, logo só vivem de novidades, correndo de um lado para o outro atrás de “novidades”. Geralmente terminam frustrados e inconstantes em sua fé, pois não descobriram o essencial: Comunhão com Deus. Mas desperdiçaram seu tempo e energia com o que é relevante: a forma de expressar essa comunhão.

Particularmente, sou um desses Extravagantes Apaixonados por Jesus... certa vez em um retiro de jovens e adolescentes, logo na primeira reunião para a pregação da palavra o louvor e adoração estavam muito intensos e eu simplesmente deixei que fluísse no meu espírito com liberdade. Logo as lágrimas brotaram espontaneamente em meus olhos e em meio ao quebrantamento espiritual, ouvi uma amiga, falar a minha esposa: - “Esse barulho de choro e quebrantamento extravagante no meio da música não faz parte da canção, né?! ...só poderia estar vindo do seu marido... será que não dá para chorar mais baixinho não?! “.

Quando não experimentamos, porém desejamos experimentar e vemos essa expressão nos outros, costumamos reagir de forma estranha: uns analisam, outros defendem, há quem condene e critique, outros fingem estar gostando, mas depois saem falando mal, outros ainda aguardam os frutos, outros participam e começam a vivenciar o processo, e assim vai... foi mais ou menos isso que aconteceu com os diversos apaixonados extravagantes relatados na Bíblia, vejamos alguns:

Em II Samuel 6:14—22 temos o relato de Davi dançando com todas as suas forças diante da arca do Senhor. Visualize toda extravagância de Davi, ao não se importar com os comentários do povo, sendo ele rei, e estando a dançar diante da arca. II Samuel 6:14-23 “Davi dançava com todas as suas forças diante do SENHOR; e estava cingido de uma estola sacerdotal de linho. Assim, Davi, com todo o Israel, fez subir a arca do SENHOR, com júbilo e ao som de trombetas. Ao entrar a arca do SENHOR na Cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela e, vendo ao rei Davi, que ia saltando e dançando diante do SENHOR, o desprezou no seu coração. Introduziram a arca do SENHOR e puseram-na no seu lugar, na tenda que lhe armara Davi; e este trouxe holocaustos e ofertas pacíficas perante o SENHOR. Tendo Davi trazido holocaustos e ofertas pacíficas, abençoou o povo em nome do SENHOR dos Exércitos. E repartiu a todo o povo e a toda a multidão de Israel, tanto homens como mulheres, a cada um, um bolo de pão, um bom pedaço de carne e passas. Então, se retirou todo o povo, cada um para sua casa. Voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, filha de Saul, saiu a encontrar-se com ele e lhe disse: Que bela figura fez o rei de Israel, descobrindo-se, hoje, aos olhos das servas de seus servos, como, sem pejo, se descobre um vadio qualquer! Disse, porém, Davi a Mical: Perante o SENHOR, que me escolheu a mim antes do que a teu pai e a toda a sua casa, mandando-me que fosse chefe sobre o povo do SENHOR, sobre Israel, perante o SENHOR me tenho alegrado. Ainda mais desprezível me farei e me humilharei aos meus olhos; quanto às servas, de quem falaste, delas serei honrado. Mical, filha de Saul, não teve filhos, até ao dia da sua morte.

Como é interesante imaginar a força desses movimentos de Davi, o cantor, o compositor, o guerreiro, o homem segundo o coração de Deus, mas também o adorador extravagante que gritava intensamente celebrando a Deus. Mical era uma pessoa observadora, não dizia aquilo que pensava, era apaixonada pela imagem social que politicamente ocupava, preocupava-se com os comentários alheios e no seu coração desprezou toda aquela extravagância do marido. Infelizmente Mical não estava aberta para o Novo de Deus, com seu pensamento expressou uma “espiritualidade simples”, “normal”, como “todos os demais”, não imaginou que estaria sendo amaldiçoada, pois “não teve filhos, até ao dia da sua morte”.

Pensar em Davi me faz pensar em Jesus, que com seu amor extravagante, comia a mesa com publicanos e pecadores, veja Marcos 2:15-17 . Comia tanto que rotularão Jesus de “comilão e beberrão” Lucas 7:34 , porém para os fariseus e escribas da lei, esse comportamento extravagante de Jesus é digno de pena de morte! Talvez para alguns líderes religiosos nos dias de hoje a mesma dificuldade farisaica se repita. Quando o micro universo religioso é limitado, algumas pessoas até querem imitar a unção do Espírito Santo, anseiam por impor as mãos e presenciarem os mesmos sinais, usam o mesmo vocabulário, porém não estão dispostas a pagarem o preço da santidade, integridade e caráter... infelizmente terminam frustrados pois não produzem os mesmos frutos.

Recentemente, conversei com um pastor que falou ser impossível a total cura de uma pessoa com comportamento homossexual. Segundo ele, a psicologia e a psicoterapia “provavam” que uma vez escravo do homossexualismo, sempre homossexual! Confesso para você leitor, que não foi a conversa mais agradável de minha vida, porém mostrei-lhe Romanos 5:20-21 “Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor”. Após a leitura do texto compartilhei alguns casos que eu mesmo pastoreio, e falei do poder do Espírito Santo para restaurar o ser humano. Parecia perda de tempo, pois aquele pastor não conseguia conceber a idéia do Espírito Santo habitando em alguém que tivesse praticado no passado tamanho delito.

Outro exemplo de extravagante bíblico, é o de Abrão, que ouviu a voz de Deus e saiu de sua casa (Gênesis 12) , do meio de sua parentela e aceitou o convite de Deus para peregrinar, depositando toda sua fé e esperança na promessa que de herdaria uma terra rica, onde manava leite e mel! Quanta extravagância nessa atitude de Abraão! Um dia eu também ouvi esse mesmo Deus, me chamando para o ministério, falando para mim sair da empresa em que trabalhava como programador e responder sim ao seu chamado para peregrinar com Ele. Desde então tenho peregrinado pelas nações.

E o que falar de Moisés? Criado no palácio de Faraó, fugiu para o deserto pois assassinou um soldado egípcio e os seus compatriotas o rejeitavam. No deserto teve um encontro extravagante com Deus: Êxodo 3:2 “Apareceu-lhe o Anjo do SENHOR numa chama de fogo, no meio de uma sarça; Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo e a sarça não se consumia. (3:4) Vendo o SENHOR que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: Moisés! Moisés! Ele respondeu: Eis-me aqui!”. Você já experimentou algo mais extravagante do que isso??? O modo como Deus falou com Moisés no deserto, e o modo como Deus entrega as tábuas da lei (Êxodo 24) me convidam a refletir no quanto o nosso Deus também é extravagante!

Para alguns Moisés aparentemente é um modelo de Adorador Extravagante maior que Davi, pois Moisés “falava com Deus face a face”. Realmente, concordo que Moisés nos é um referencial saudável de intercessão e comunhão íntima com o Senhor. Porém Moisés carregava dentro de si uma paixão pecaminosa pela imagem social que ocupava diante da nação, algo semelhante ao que Mical também sentia.

Isso fica muito evidente quando vemos, Moisés preocupado em esconder o rosto para que as pessoas não soubessem que a glória do Senhor já não estava mais resplandecida sobre o seu rosto ( Ex 34:33-35 e II Co 3:13-18 ). Moisés sem dúvida foi um grande Adorador Extravagante, porém não era capaz de “despir seu coração” diante de Deus, sem se preocupar com a opinião das pessoas, isso apenas Davi sabia fazer.

Em Atos 9:8-21 temos um relato extravagante de um discípulo chamado Ananias, “E Saulo levantou-se da terra e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco. E esteve três dias sem ver, e não comeu, nem bebeu.

E havia em Damasco um certo discípulo chamado Ananias. E disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor! E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando; e numa visão ele viu que entrava um homem chamado Ananias e punha sobre ele a mão, para que tornasse a ver.

E respondeu Ananias: Senhor, de muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome.

Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome.

E Ananias foi, e entrou na casa, e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado. E, tendo comido, ficou confortado. E esteve Saulo alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco.

E logo, nas sinagogas, pregava a Jesus, que este era o Filho de Deus.Todos os que o ouviam estavam atônitos e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes?”. Discípulos extravagantes são todos aqueles que correm riscos por amor ao evangelho e por obediência a Deus. Imagine o medo de Ananias ao saber que Deus desejava que ele fosse ao encontro do “terrível Saulo” assassino de cristãos! Porém a extravagância de Ananias foi revelada na sua obediência, e disposição de correr risco de vida, mas não desobedecer a revelação vinda do céu.

A Bíblia esta cheia de experiências extravagantes de pessoas comuns como você e eu com um Deus extraordinário! Porém muito mais que relatos bíblicos, nossas igrejas, cidades e nações também possuem alguns extravagantes avivados, anônimos, porém cheios do Espírito Santo que a exemplo de Ananias teriam muitas histórias para testemunhar. Nosso propósito como Ministério Avivamento Extravagante é contribuir para que esse número de Avivalistas Extravagantes cresça ainda mais!

Porem, apesar de ser um extravagante nessa geração, existe algo nessa expressão que me deixa profundamente incomodado. Essa expressão “extravagante” chega a causar-me enjôos ao pensar na possibilidade da mesma vir desconecta de um estilo de vida centrado no Reino de Deus.

Adoração em espírito e em verdade (João 4) não consiste em apenas gritos, ruivos ou gargalhadas espontâneas. Creio que Deus possui seus avivalistas extravagantes em todas as culturas, não podemos cometer a ingenuidade de achar que somos exclusivos na forma extravagante de adorarmos em nosso contexto cultural latino americano. A extravagância do culto não esta necessariamente na forma em que ela é expressa, mas sim no conteúdo.

A grande extravagância de Francisco de Assis estava muito mais centrada em sua atitude abnegada e regada pelo amor para com o próximo, do que nas reuniões públicas que realizava na pequena igreja. Nosso caráter como adoradores se manifesta nos pequenos atos de amor para com os mais pobres, oprimidos, espiritualmente abatidos, rejeitados pela sociedade, marginalizados, enfermos e em alguns casos até aprisionados em penitenciárias ou em luxuosos condomínios residenciais.

A extravagância de Ananias para com Saulo, lembrar a três jovens moravianos que movidos por uma profunda paixão missionária, despediram-se de seus familiares e de seus amigos a fim de serem enviados como missionários a uma ilha na África, cheia de escravos que precisavam ouvir o evangelho, chamada Madagascar. O fato é que nessa ilha só era permitido entrar escravos, era proibida a entrada de pessoa livres. Quando disseram para aqueles três jovens extravagantes que seria impossível para eles pregarem o evangelho em Madagascar, pois somente escravos poderiam viver naquela ilha, eles não tiveram dúvidas, decidiram voluntariamente ser vendidos como escravos. Eles sabiam que teriam que terminar seus dias na ilha sem nunca mais poder reencontrar seus amigos e familiares. Você seria tão extravagante quanto eles?

Qual seria sua reação se durante o principal culto em sua igreja, entrasse um mendigo, sujo, com sarna e feridas na pele e cheirando a urina pois nas últimas semanas ele não tomou banho e sentasse ao seu lado no banco da igreja? Talvez no lugar do mendigo você prefira imaginar uma prostitua, um traficante ou drogado? Fica difícil imaginar como toda a igreja reagiria? Mas tenho certeza que seria muito mais fácil visualizarmos como deveria ser a reação de alguns líderes pastorais se um político famoso, apesar de corrupto, sentasse nas primeiras fileiras da igreja. Qual a diferença do pecado de cada um deles? Nenhuma, todos necessitam da graça de Deus!

Agora imagine essas “pessoas estranhas” sentadas ao seu lado, durante o período de adoração, chorando, gritando, gemendo, soluçando compulsivamente, pulando, mexendo ao braços e dizendo: - “Eu amo você Jesus! Perdão! Perdão! Perdão!”. Como reagiríamos? A grande maioria das pessoas encontrariam um jeito de retirar esses “esquisitos extravagantes” e pediriam para que eles nunca mais voltassem ao culto! Outros encaminhariam para um tratamento psicológico, “gente desse tipo esta totalmente desequilibrada”, pensariam.

Em Lucas 7:36-50 vemos uma cena dessas acontecendo: “E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento. E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento. Quando isso viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora”. Isso eu chamo de avivamento extravagante, pois o fogo do avivamento que ardia dentro do seu coração daquela mulher, era mais intenso que a preocupação com a opinião e comentários dos outros ao seu respeito.

Do mesmo modo que os fariseus reagiram com aquela mulher “pecadora”, atualmente alguns religiosos insistem em reagir a profunda expressão de extravagância espiritual. Porém a melhor notícia é que da mesma forma amorosa como Jesus aprovou aquela atitude espontânea, Ele continua a aprovar-nos atualmente! Aleluia!

Mesmo que ao longo desse texto, o relato de tantas extravagâncias espirituais possam lhe parecer emocionalmente desequilibradas, saiba que só joga no time de Abraão, Moisés, Davi, Isaías, João Batista, Ananias, Bartimeu, Maria, Francisco, jovens moravianos e muitos outros anônimos da história... a impressão que tenho é que só joga nessa equipe avivalistas extravagantes, radicais para com o seu próprio pecado.

Por que nos incomodarmos com a forma da adoração dos outros e não nos incomodarmos com a nossa própria falta de frutos espirituais?

Por que procurar suprir todo complexo de inferioridade e rejeição mediante o conhecimento bíblico teológico quando sabemos que o simples conhecimento acadêmico da palavra de Deus não é capaz de gerar vida em nosso interior?

Por que deixar que o mesmo zelo farisaico contamine os nossos corações e nos impossibilite de experimentar o novo de Deus? Por que tanto medo de se expor? O que será que existe ai dentro, que precisa ser escondido dos outros?

Quem colocou tamanha algema em nossa mente e aprisionou o nosso espírito para não deixar o mover profético do Espírito Santo fluir com liberdade?

Será o desejo de Jesus encontrar “verdadeiros adoradores que o adorem em silencia e profunda solenidade de culto”, em suas catedrais faraônicas, cheias de pessoas doentes que continuarão eternamente doentes? Não seria isso uma versão reformada das antigas rezas e falta de espontaneidade no culto? Para alguns, só falta voltar a rezar em latim. Na verdade, vejo que muitas igrejas estão cheias de padres protestantes! A igreja precisa continuamente ser reformada.

Para todos aqueles que não querem ser juízes da extravagância alheia: - Sejamos extravagantes contra o pecado, e extravagantes em nossa consagração diária. Celebremos com fé, alegria, vida, energia, força e liberdade. Proclamemos a mensagem do amor, do plano original de Deus, da encarnação em Jesus Cristo, da cruz, da vitória sobre as trevas, da ressurreição e de sua segunda vinda com ousadia e coragem. Dispostos a sermos apedrejados da mesma forma como inúmeros outros profetas foram antes de nós.

Não trocaremos nosso direito de primogenitura por um prato de lentilhas. Simplesmente invocaremos a presença manifesta da glória de Deus e seremos noiva do Cordeiro. Aqueles que desejam cantar, cantem. Aqueles que desejam chorar, chorem. Aqueles que desejam cânticos históricos cantem-nos. Aqueles que desejam cânticos novos, repitam os refrões até que eles se tornem vida no seu interior. Quem deseja erguer as mãos, prostra-se, deitar no chão ou plantar bananeira... ( II Co 3:17 ) que o faça com reverência e sinceridade de coração! Creio que a decência e a ordem de culto foram instituídas para o homem, e não o homem foi instituído para a ordem de culto, veja Marcos 2:27 “E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado”.

Porém lembre-se sempre: A essência de toda nossa extravagância é JESUS. Ser extravagante, é ser como Jesus foi em sua geração! É quebrar paradigmas e expressar de modo espontâneo os valores do Reino de Deus, sem precisar ensaia-los na frente do espelho.

Isaías 20:2-4 “falou o SENHOR, pelo mesmo tempo, pelo ministério de Isaías, filho de Amoz, dizendo: Vai, solta o cilício de teus lombos e descalça os sapatos dos teus pés. E assim o fez, indo nu e descalço. Então, disse o SENHOR: Assim como o meu servo Isaías andou três anos nu e descalço, por sinal e prodígio sobre o Egito e sobre a Etiópia, assim o rei da Assíria levará em cativeiro os presos do Egito e os exilados da Etiópia, tanto moços como velhos, nus, e descalços, e com as nádegas descobertas, para vergonha do Egito”.

Veja também I Samuel 19

Quanta Extravagância!!!

Pastor Jelson Becker é o líder do Ministério Avivamento Extravagante em Recife-PE, boa parte desse artigo foi contribuição do Pastor João de Souza.

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