Cristianismo Secularizado.
"Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados. Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra" Tito 1.15-16 .
Lembro-me com carinho de meus pais e minha infância. Acordávamos cedo nas manhãs de domingos a fim de não chegarmos atrasados ao culto na igreja luterana.
Louvo a Deus por meus pais sempre nutrirem em mim o sincero propósito de servir a Jesus Cristo, ainda que dentro de uma igreja de teologia de reforma, sob uma perspectiva histórica e tradicional cuja leitura de espiritualidade tristemente não acompanhou as inúmeras ondas de avivamento na história da igreja...
Apesar de toda liturgia e tradicionalismo denominacional, minha história com a religião foi “menos ruim” que as histórias de muita gente por ai.
Eles poderiam ter me iniciado no ocultismo, ou talvez consagrado a algum ídolo católico romano, o que seria muito pior... mas ao invés disso levaram-me a uma das linhas teológicas do luteranismo mais fundamentalistas que existem.
Eram quase que “xiítas protestantes”, diziam ser os “luteranos mais puros” que seguiam com maior legitimidade os pensamentos de Lutero, pois eram fidedignos a Confissão de Augsburgo (1530-1980).
“Pertencemos a Família Luterana, que confessa e manifesta a sua fé, baseado nas Sagradas Escrituras, pelos credos da Igreja Antiga e pela Confissão de Augsburgo, com credo da Reforma.
Cremos em uma só Igreja de Cristo, a Comunhão dos Santos; cremos na Boa Nova da salvação mediante fé; cremos que este Evangelho cria vida nova, reformando constantemente a Igreja.
Nossa tradição confessional não nos isola de outros cristãos. Com ela participamos da “Ecumene”.
Vinculados em fé e ação com todas as igrejas do mundo, que confessam Jesus Cristo como Senhor e Salvador, procuramos viver a unidade da igreja de Jesus Cristo: a universal, uma, santa e apostólica”.
Diziam que as outras igrejas eram boas, mas aquela era melhor.
Acreditavam que seriam salvos, pois um dia foram batizados e semelhante a argumentação teológica de Roma, ensinaram-me que pelo batismo eu estaria salvo. Em minha adolescência, durante meu preparo para a minha profissão de fé, ensinaram-me que em casos emergenciais e urgentes, qualquer leigo poderia ministrar o “batismo de emergência”, a fim de que uma criança recém nascida não morresse sem o “santo batismo” e fosse morar eternamente no inferno...
Praticavam a Ceia do Senhor, de modo fechado e restrito apenas aos membros da estrutura denominacional. Visitantes e cristãos convictos de outras denominações eram constrangidos a não entrarem na fila da ceia, pois segunda aquela argumentação teológica, teríamos que estar todos em concordância com a mesma doutrina para podermos cear juntos.
Ainda hoje enquanto escrevo esse texto, lembro-me das manhãs frias e chuvosas de Joinville-SC, em que no inverno eu tinha que sair da cama quentinha para ir a igreja. Não lembro-me de nenhum sentimento de alegria ou euforia relacionado a essa disciplina devocional, mas apenas o “compromisso com a igreja”, o “não chegar atrasado” e o “amor pela causa”, chavões sem nenhum efeito espiritual.
O fato de não lembrar-me de nenhum sentimento relacionado a alegria de ir a casa de Deus invocar a manifestação da sua presença e unção não significa que esses sentimentos não existissem, apenas não são ativos em minha memória. Com certeza haviam esses sentimentos nobres nos corações de meus pais. O problema é que na hora de verbalizar as razões, tudo girava em torno da igreja, do projeto, do “IDE”, da congregação ou das outras pessoas...
Crescer e conviver nesse contexto e ambiente aparentemente dócil, mas extremamente hostil e cheio de falsa espiritualidade foi significativamente melhor que ser criado num terreiro de umbanda, servindo como escravo aos exus ou orixás. Porém de modo lento, sutil e sistemático foi somatizando em minha alma um depósito de malícia e iniqüidade (Tg 1.20-21), uma falsa espiritualidade, um evangelho água com açúcar, um cristianismo não tão radical, uma espiritualidade social ou se preferir chamar, chame de um CRISTIANISMO SECULARIZADO !
Sinceramente, hoje não sei o que seria pior. Entrar numa igreja e manifestar demônios e rapidamente ser liberto pelo poder do Espírito Santo e ativado pelo exercício de fé no nome de Jesus ou viver uma espiritualidade mediana por décadas acreditando na mentira de estar imune a influencia ou manipulação demoníaca, mas nunca evidenciar sinais efetivos do Reino de Deus.
Mas, mal sabia eu, em minha mais tenra idade, que esse modelo de fé em Jesus Cristo era na verdade mais uma entre tantas astutas e destruidoras armadilhas de Satanás para nos aprisionar a religião.
Ao contrário do que muitos pensam, ter uma religião não é suficiente. Milhares de pessoas professam religiões e essas estruturas de manipulação das massas não são competentes o suficiente para preencher o vazio de seus corações.
Enquanto criança e pré-adolescente, lembro-me de tentar relacionar-me com Deus através desse maligno sistema de crenças religiosa. Então eu logo fui aprendendo “aquilo que podia fazer” e “aquilo que não podia ser feito”, achando que Deus era um ser moralista e dogmático que estava ávido por anotar no seu livrinho todas as ocasiões em que nós erramos.
Esse tipo de sistema religioso moralista é responsável pelo legalismo litúrgico de nossos dias. Ele é potencialmente capaz de nicotizar a mente das pessoas para que elas não consigam discernir a presença do Espírito Santo, as ministrações angelicais nem a unção de Deus.
Em João 8 , Jesus desenvolve um diálogo com os fariseus que lhe resistiam, e acusou-os de não conseguirem discernir a presença de Deus. Inúmeras vezes fala que são filhos do Diabo, o qual foi homicida desde o princípio e que se fossem verdadeiramente filhos de Abraão, fariam as obras de Abraão.
Quando atacado em sua identidade e destino ministerial aqui na terra, Jesus refuta dizendo: “Não conhecem a mim, nem a meu Pai, se vós conhecêsseis a mim, também conheceríeis ao meu Pai”. Esses fariseus tiveram a maior de todas as visitações divinas (Lc 1.68) ao longo da história – o verbo encarnado diante deles e não conseguiram reconhecê-lo como Deus.
A presença divina não foi discernida por eles pois segundo Jesus:
“ Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. Mas, porque vos digo a verdade, não me credes. Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes? Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus.” João 8.42-47.
Cresci escutando que não era preciso sentir a presença de Deus, que isso era meninice pentecostal. Que o importante era o nosso “logic latria”, “culto racional” (Rm 12.2) e que chorar durante o período de louvor e adoração era sinônimo de fraqueza espiritual...
Nada poderia ser mais demoníaco que essas mentiras religiosas!
Crescer exposto a esses ambientes fatalmente fará com que pessoas tenham sua fé aprisionada a caverna da religiosidade. Quando me tornei adolescente, percebi que havia algo de errado comigo, com minha fé, com aquela estrutura denominacional e com aquele modo de ler o mundo.
Isso era radicalmente contrário aos filtros através dos quais Jesus lia o mundo de sua época. Era um pensamento social coletivo que pairava sobre minha espiritualidade que me estimulava a duvidar, questionar, por em cheque ao invés de crer ingenuamente, receber por fé, verbalizar o que havia no meu coração.
Imagino que aqueles fariseus que contra-argumentavam Jesus, também deveriam ter sido criados em ambientes tão nocivos religiosamente quanto ao meu. Devem ter ouvido as mesma falácias ao ponto de dizerem a Jesus que o simples fato de terem Abraão por pai lhes era suficiente. Jesus ironicamente lhes avisa que das pedras Deus pode suscitar filhos de Abraão.
O que é que havia de errado com aqueles fariseus? Com as suas palavras absolutamente nada estava errado. Eram bonitas e regadas de falsa espiritualidade ao ponto de nicotizar sua capacidade de discernir Jesus, o verbo encarnado, o Deus Conosco - Emanuel!
Apesar de professarem conhecer a Deus, o negavam com suas obras, ao ponto da medida de suas iniqüidades transbordarem diante de Deus (Gn 15.16) e se tornarem detestáveis, motivo de vomito para o Senhor. Semelhantes a muitos lideres religiosos hoje, suas palavras são dóceis e “bonitas”, falam bem, mas seu interior esta cheio do espírito da religiosidade! Deus aguarda pacientemente por arrependimento e mudança de paradigmas, a fim de não ver a medida da iniqüidade dessas pessoas transbordando diante dEle.
Graças a Deus por sua misericórdia e verdade, pois mesmo aquele indivíduo que a vida inteira foi exposto a mentiras religiosas, quando uma única vez exposta a verdade revelada das escrituras, tem sua oportunidade de ser liberto.
“Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8.31-32.
O fato é que algumas pessoas possuem a habilidade maligna em raizada dentro de nossos corações, que as inclina a negar a verdade revelada, principalmente quando ela agredi os paradigmas históricos familiares ou denominacionais. Isso faz delas responsáveis pelo exercício do seu livre-arbítrio. Inúmeras vezes reagem ao atual mover do Espírito Santo em nossos dias com o mesmo espírito homicida que havia nos corações dos fariseus:
“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não entra em vós.” João 8.36-37.
Deus esta rasgando com o manto da religiosidade sobre a vida espiritual de pessoas, famílias, igrejas locais ou estruturas denominacionais inteiras. Não existem mais como impedir, parar ou resistir.
Apesar de terem sido programados para duvidar, não crer ou simplesmente terem medo das manifestações do Espírito Santo em nossos dias, a fome e a sede que Deus esta gerando nos corações é infinitamente maior (Ag 8.11).
O poder de Deus tem destruído toda argumentação teológica cessacionista, e demonstrado por sinais visíveis um Reino invisível que é chegado entre nós! Curas, libertações, ativações proféticas, transferência de unção, línguas estranhas, dentes de ouros, azeite perfumado, são apenas o começo.
Você faz parte desse mover profético do Espírito Santo, venha conosco romper com toda influencia grego-romana que nicotiza a mente com a religiosidade paga sincretizada a fé cristã e tornemos a ler as escrituras com os mesmos óculos do pensamento judaico-cristão que caracterizou a igreja do primeiro século!.
“És tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E também os profetas morreram. Quem te fazes tu ser? Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus. E vós não o conheceis, mas eu conheço-o. E, se disser que o não conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra. Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se. Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou. Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.” João 8.51-59.
Pr Jelson Becker
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